sexta-feira, 24 de agosto de 2007

Alecrim às Flores

É dos bons restaurantes que Lisboa viu nascer nos últimos tempos, e é dos melhores em termos de relação qualidade preço (vide Roteiro Expresso).


O Chefe é o Ricardo do Canto, um talentoso auto-didata, que conhece bem a cozinha portuguesa e tem a arte e o bom gosto de adaptar à modernidade, valorizando sempre os nossos sabores tradicionais. Mas este Chefe, sendo também um interessado pela cozinha italiana, é bem capaz de nos surpreender com algumas fusões muito interessantes, utilizando sempre produtos de base nacionais (como bom Português que é).


Tem a grande vantagem de se saber que ali os produtos são frescos e de uma óptima qualidade. Aliás, cheguei a ser privado de um maravilhoso gelado Eusébio, pelo simples facto de, nessa manhã, o Chefe não ter encontrado framboesas a seu gosto no mercado.


Como desvantagens, creio que poderemos apontar uma garrafeira em que faltam alguns vinhos de grande qualidade (como o Quinta de Foz de Arouce - vinhas de Sta. Maria, para puxar a brasa à minha sardinha!).


Fica num espaço muito simpático e bem recuperado, no n.º 4 da Travessa do Alecrim. O site é o http://www.alecrimasflores.com/ e o tele fone o 21 322 53 68.


Se reservarem mesa, digam que vão por recomendação expressa da Confraria Lusitana de Cozinha.


Aquele abraço.

下北沢のバー


Também conhecido por Shimo-Kitazawa Bar. A maior parte dos leitores não deve conhecer este restaurante, mas é um dos meus preferidos. Situa-se nos arredores de Tokyo, no bairro de Shimo-Kitazawa.

É o local ideal para ir "matar a fome" depois de uma incursão nos meandros da noite nipónica. O "chef" é o famoso 炊飯器-san, o qual resolveu abrir, em sociedade com o antigo proprietário do Kawaramachi , este novo conceito de "pret-a-manger".

O espaço encontra-se decorado com muito gosto, num estilo entre o asiático Norte Koreano e o Japonês clássico. É um local "trendy", com bom ambiente e muitos jovem à procura da sua "mizuange". O ideal para quem gosta de trabalhar noite dentro ou para quem gosta de jantar mais tarde, sem pressa nem preocupações. Está aberto até as 6 horas da manhã!

As pastas e os curries são únicos! Optei por comer uma pasta (tipo "lasagne") com chaputa crua. Divinal! Para beber, continuei no Sakê. Diga-se: Excelente!

Para quem gosta de Japoneses, este é o sítio.

O Preço é bastante caro, em média, Euros 120 por pessoa.

Aconselho a reservar com alguma antecedência. O costume é antes de ir para a noite passar lá a marcar. Também podem marcar através da internet ou através de telefone.

P.S. Tem Karaoke.


Belcanto

Tempos houve em que as Senhoras não entravam. Ainda hoje, as saias raramente se vêem. O ambiente é conservador e o serviço de primeira. A primeira que vez lá entrei fiquei com a sensação que tinha viajado no tempo 40 ou 50 anos para trás, não só pela arquitectura e decoração da sala mas também por causa da frequência e dos trajes dos funcionários. Os empregados de mesa são criados e a máxima "o cliente tem sempre razão" aplica-se em toda a sua plenitude. Quanto à comida, nada a apontar. O que lá há é (muito) bem feito. Para quem seja uma estreia, aconselho vivamente o Strogonoff, devidamente acompanhado por ovo mexido. Só um reparo quanto ao vinho da casa, que por vezes não acompanha a qualidade da refeição. É daqueles locais para ir ficando, sem pressas, à espera que o calor lá fora diminua. Contem deixar 25/30 euros no final do repasto, mais do que merecidos. De seguida, o regresso ao trabalho ou, para quem pode, um passeio pelo Chiado.

quinta-feira, 23 de agosto de 2007

Casa Ramiro


Sito em Pieres, Marecos, concelho de Penafiel.


A verdadeira "tasca" no sentido da palavra. Mesas e bancos corridos. Todos bebem do mesmo jarro e a travessa de um é a travessa de todos. Não é um restaurante para meninos, mas sim, um espaço criado para quem gosta de comer e provar iguarias, cuja legislação comunitária não nos permite apreciar. É restaurante para gente de barba rija (seja homem ou mulher).


Na sala de jantar costuma estar um cão muito simpático, o qual aguarda que lhe seja atirado um osso mal esbichado.


A última vez que fui lanchar ao "Raimirinho", nome do proprietário, sentei-me ao lado de um Senhor de meia idade, lavrador, e da sua Senhora, lavradora, menina de uns 62 anos bem feitos, peso considerável e uma carregada nuance por cima do lábio superior.


Ele (o "Xô Nélio") optou por comer uns ossinhos de suã e eu uma punheta de bacalhau. O Xô Nélio pediu dois jarrinhos de branco, um para ele e outro para a Senhora (a "D. Miquinhas"). Eu pedi meio. Como estavamos na mesma mesa acabei por provar os ossos (excelentes!) e o Xô Nélio e a D. Miquinhas picaram do meu bacalhau (também excelente!). Acabámos por mandar vir mais 6 jarrinhos, ficámos amigos, jantámos por lá um cozido de óptima qualidade (à Quarta e ao Domingo há Cozido) e no fim até dividimos a conta. No fim a D. Miquinhas ainda pediu rim de porco frito com vinagre de vinho tinto. Para mim foi só café.


Depois de muita insistência, ainda fui a casa do Xô Nélio provar do vinho dele e comer uma sandes de "mouros" que ele próprio os faz. Saí de lá a rebolar, com um frasquinho de mel caseiro e uma fotografia da D. Miquinhas.


Concluíndo, é uma "Tasca" portuguesa concerteza com alegria sobre a mesa.


Preço: Éramos três e a conta foi dividida por dois; Paguei Euros 20.


P.S. O Filho do Xô Nélio e da D. Miquinhas é engenheiro de automóveis em Lisboa. Caso alguém precise de alguma coisa ele trata de tudo. O telefone dele é o 0931 785 89 65. Porra.. mas há quanto tempo é que eles não telefonam ao filho?


Vim a saber que o filho é mecânico na zona de Alverca e já esteve preso duas vezes. Os pais não souberam de nada e continuam a mandar-lhe um presunto e broa todos os Natais para uma morada em Lisboa.


Nota Final: Se tu, meu FDP, que comes esse presunto todos os Natais leres este blog, diz-me qq coisa que eu levo o vinho.